Um novo capítulo na disputa pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo foi revelado nesta sexta-feira (23). O empresário norte-americano John Textor declarou que uma decisão judicial nos Estados Unidos tornou-se definitiva, reafirmando sua posição como proprietário de 90% das ações da empresa que administra o futebol alvinegro. Textor anunciou sua intenção de buscar o reconhecimento dessa sentença no Superior Tribunal de Justiça (STJ), no Brasil, em meio ao conflito com a Eagle Football e o clube associativo.
A decisão americana, proferida inicialmente em 17 de setembro de 2026 e declarada definitiva na última quinta-feira (22), segundo o comunicado de Textor na rede social X, reconhece sua propriedade sobre 90 mil ações da classe B. De acordo com a interpretação do empresário, estas ações representam 90% do capital e dos direitos de voto da SAF. Ele argumenta que o contrato de compra e venda com a Eagle Bidco, firmado em novembro de 2022, nunca foi concluído devido à falta de pagamento, levando o tribunal a considerar o acordo nulo desde a origem. Textor também afirmou que o prazo para recurso da Eagle Bidco expirou em 19 de outubro sem contestação formal.
No entanto, é crucial notar que a decisão norte-americana não possui efeito automático no Brasil. Para que a sentença tenha validade jurídica em território nacional, Textor precisará passar pelo processo de homologação no STJ. O próprio Botafogo já havia contestado a relevância da decisão quando esta foi divulgada inicialmente, argumentando que ela não teria validade automática perante a justiça brasileira. Portanto, a declaração de Textor não implica uma recuperação imediata do controle administrativo da SAF.
Enquanto Textor busca fazer valer sua interpretação da decisão americana, o Botafogo associativo avançou em mudanças na sua estrutura acionária. O clube acionou uma cláusula contratual e passou a deter 51% das ações da SAF, com a Eagle ficando com 49%. Adicionalmente, o associativo iniciou um processo de emissão de novas ações, que pode alterar ainda mais a participação dos acionistas. Textor também fez um apelo para que a GDA Luma e Gabriel de Alba respeitem a decisão americana e cessem quaisquer interferências em seus supostos direitos de propriedade, declarando ainda seu desejo de trabalhar com parceiros internacionais para restaurar o prestígio do clube. A disputa, portanto, segue em aberto no Brasil, com Textor reivindicando o controle com base na decisão dos EUA e o clube associativo sustentando sua posição na estrutura societária brasileira.




