O Botafogo social deu um passo importante na reestruturação da sua SAF ao exercer o direito de preferência e adquirir 102 milhões de ações novas, totalizando R$ 1,02 milhão. Enquanto isso, a Eagle Football se vê em uma corrida contra o tempo, com prazo final até o dia 24 de outubro para comprar 98 milhões de ações por R$ 980 mil, respeitando o período de 30 dias estabelecido após a assembleia. A informação, divulgada pelo perfil “Benjamin Espósito” e confirmada pelo relatório da recuperação judicial, aponta para uma possível mudança drástica na composição acionária da SAF, abrindo caminho para a entrada da GDA Luma caso a Eagle não cumpra sua parte.
Antes da recente movimentação, o clube associativo detinha 51% da SAF, enquanto a Eagle possuía 49%. A decisão do Botafogo de diluir as ações contrasta com a inação da Eagle, que teve seus direitos suspensos por uma decisão da 2ª Vara Empresarial desde abril. A empresa, que está sob um procedimento de insolvência inglês (administration) e é representada pela Cork Gully LLP, sequer possui advogados atuando no Brasil. Se a Eagle não adquirir as novas ações, o Botafogo planeja exercer a aquisição das sobras, o que reduziria a participação da empresa para menos de 0,1% do total, facilitando a entrada da GDA Luma no cenário.
O 5º relatório mensal da recuperação judicial da SAF Botafogo, protocolado em 20 de outubro, detalha a situação financeira complexa. A assembleia de acionistas de 24 de setembro aprovou um aumento de capital de até R$ 2 milhões, com a emissão de 200 milhões de ações novas a R$ 0,01 cada, visando o pagamento de parte da folha salarial. Um laudo da Meden Consultoria, que acompanha o plano de recuperação, avaliou a SAF em um valor negativo após descontar o empréstimo da GDA, justificando o preço simbólico das ações. As projeções financeiras, que consideram o Botafogo terminando em 6º no Brasileiro anualmente e sem disputar a Libertadores por 22 anos e meio, indicam um caixa negativo até 2031. A SAF faturou R$ 220,6 milhões líquidos de janeiro a agosto de 2026, mas os custos operacionais somaram R$ 484 milhões, resultando em um prejuízo de R$ 2,23 bilhões no período, majoritariamente devido a lançamentos contábeis de perdas e provisões ligadas a empresas do grupo Eagle e ao clube associativo. O caixa, que era de R$ 20,3 milhões no fim de setembro, projeta fechar dezembro com R$ 5,2 milhões, dependendo de novos empréstimos.
Em relação aos compromissos, a SAF afirma que os salários vencidos após o pedido de recuperação estão em dia, incluindo os dos jogadores. No entanto, admite não estar recolhendo tributos federais e contribuições previdenciárias sobre a folha, acumulando R$ 50,4 milhões em aberto de janeiro a agosto de 2026. O programa de sócio-torcedor também sofreu uma queda significativa, passando de 66,4 mil em setembro de 2025 para 40,5 mil em agosto de 2026, uma perda de 39%. A dívida do DIP com a GDA Luma, que era de R$ 415 milhões em junho, atingiu R$ 480,6 milhões em 31 de agosto, representando 82% de tudo que a SAF deve fora da recuperação. O stay period, prazo de proteção contra cobranças, terminou em 18 de outubro, e a SAF solicitou mais 180 dias, aguardando decisão judicial. Todos os transfer bans da FIFA estão suspensos até o fim da recuperação.




