O Botafogo associativo deu um passo significativo para consolidar seu controle sobre a Sociedade Anônima do Futebol (SAF). O clube exerceu seu direito de preferência na aquisição de novas ações, comprando 102 milhões de papéis por R$ 1,02 milhão. Agora, a Eagle Football tem até o próximo sábado, dia 24, para decidir se exercerá seu direito de compra sobre outros 98 milhões de ações, em uma operação que pode alterar drasticamente a estrutura societária do futebol alvinegro.
A informação, inicialmente divulgada pelo perfil Benjamin Espósito e repercutida pelo FogãoNET, indica que, caso a Eagle Football não realize a compra dentro do prazo estipulado, o Botafogo associativo terá a oportunidade de adquirir as ações restantes. Nesse cenário, a participação da empresa estrangeira seria reduzida a menos de 0,1%, deixando o clube com a quase totalidade das ações da SAF.
Antes do recente aumento de capital, o Botafogo associativo detinha 51% das ações da SAF, enquanto a Eagle Football possuía os 49% restantes. Com a emissão de novos papéis, ambos os acionistas tiveram a possibilidade de exercer seus direitos de preferência. Enquanto o clube já concluiu sua parte, a Eagle ainda tem a oportunidade de comprar 98 milhões de ações por R$ 980 mil, com o prazo final em 24 de outubro.
A possível perda de participação da Eagle Football se deve a dificuldades jurídicas e financeiras enfrentadas pela empresa. A companhia está sob um procedimento de administration (equivalente à insolvência) na Inglaterra e teve seus direitos societários suspensos desde abril por decisão da 2ª Vara Empresarial, o que a impediu de participar da votação que aprovou o aumento de capital. Além disso, a empresa estaria sem advogados constituídos no Brasil.
Essa potencial diluição da Eagle Football pode abrir caminho para uma reorganização societária envolvendo a GDA Luma, grupo ligado ao empresário mexicano Gabriel de Alba. A GDA Luma já possui uma relação financeira com a SAF, tendo concedido financiamentos que, em agosto de 2026, chegaram a R$ 480,6 milhões. O acordo prevê a possibilidade de converter esses créditos em ações, embora ainda não haja um contrato definitivo de aquisição do controle da SAF, apenas um acordo vinculante de investimento. O dia 24 de outubro se mostra, portanto, decisivo para os próximos capítulos da reestruturação societária do Glorioso.



