A atual gestão da SAF do Botafogo colocou sob lupa uma das contratações de maior valor realizadas durante a gestão de John Textor. Uma auditoria interna identificou pontos de atenção em um acordo fechado no ano passado, especialmente pelos altos valores envolvidos e por uma cláusula específica ligada ao grupo Eagle Football.
A operação em questão refere-se à contratação do meia-atacante uruguaio Santi Rodríguez, vindo do New York City em fevereiro de 2025. O negócio, que poderia alcançar a marca de US$ 17 milhões (aproximadamente R$ 86,3 milhões), passou a ser questionado durante a revisão dos compromissos financeiros deixados pela administração anterior.
O ponto que mais chamou a atenção da auditoria foi uma cláusula contratual que previa um bônus de US$ 2 milhões caso Santi Rodríguez fosse transferido para outro clube pertencente ao grupo Eagle Football. Esse valor adicional somava-se aos US$ 15 milhões fixos acordados com o New York City, criando uma condição financeira atrelada a uma possível movimentação interna dentro da rede de clubes do grupo.
Profissionais especializados em scout avaliaram que o valor de mercado de Santi Rodríguez na época não ultrapassava os US$ 8 milhões, uma discrepância significativa em relação aos US$ 15 milhões fixos e aos potenciais US$ 17 milhões totais. O uruguaio chegou ao clube com a expectativa de ser o principal articulador, mas não atingiu o desempenho esperado, registrando cinco gols e seis assistências em 58 partidas antes de retornar à MLS.
A revisão contratual ocorre em um momento de cautela financeira para a SAF, mas os questionamentos levantados pela auditoria não configuram, por si só, a comprovação de irregularidades. O episódio reacende o debate sobre os critérios adotados em negociações de alto investimento no futebol, e o Botafogo busca agora esclarecer os pontos levantados e compreender o impacto dessas condições contratuais em suas finanças.




