A turbulência nos bastidores do Botafogo tem reverberado diretamente no desempenho da equipe em campo, como evidenciado pela goleada sofrida para o Athletico-PR por 4 a 1 na Arena da Baixada. Em análise no programa “Fechamento SporTV”, o comentarista Felipe Melo saiu em defesa das lideranças do elenco alvinegro, mas não poupou críticas à influência negativa do extracampo.
"O Botafogo só consegue realmente ter um bom grupo, os atletas se gostam, porque você tem uma liderança que é muito profissional", afirmou Felipe Melo, contrastando com a realidade de outros clubes. "Porque se tivesse nesse time aí jogadores que fossem, desculpa o termo, vagabundos, que você sabe que tem no futebol, em todo segmento tem aquele cara que é menos profissional, aquele cara que de repente rema contra, não recebe um salário, está acontecendo um problema aqui e tira o pé do acelerador… Você sabe como é que são as coisas, todo lugar tem. No Botafogo não tem. É um elenco profissional, mas esse problema vem de cima e atinge muito os atletas", pontuou o ex-volante.
Felipe Melo admitiu ter se equivocado em sua projeção inicial para a temporada. "Eu falei no início da temporada que esse Botafogo, no meu modo de pensar, brigaria pelas primeiras colocações. Errei até o momento. O time é muito bom, mas precisa colocar primeiro um treinador que vai fazer esse time jogar. E outra, é um ambiente ruim. Os atletas não sabem o que vai acontecer. Realmente, isso tem influenciado muito dentro de campo. Grandes jogadores que há pouco tempo atrás estavam jogando um bom futebol, pensando inclusive na seleção de seus países, e hoje o torcedor tem pensado, inclusive, em vaiar. É complicado", completou.
Na mesma mesa, o comentarista Paulo Nunes corroborou a visão de que os jogadores estão em uma situação delicada. "Não é tentar passar pano nos jogadores, mas é muito difícil você trabalhar. Só de mudança de treinador, já mudou vários treinadores. E isso muda a maneira de treinar, a maneira de correr ou para frente ou para trás, o trabalho físico, o trabalho técnico. E aí, quando você tem uma loucura como é na direção, na presidência da SAF e isso entra dentro do campo… Não tem como, toda hora esses jogadores estão jogando com essa pressão. Os jogadores estão a migalhas, eles não sabem o que está acontecendo", avaliou Paulo Nunes.
