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Ana Sátila deixa o Botafogo e critica ‘casos de assédio moral’; dirigente defende clube

Ana Sátila deixa o Botafogo e critica ‘casos de assédio moral’; dirigente defende clube

Ana Sátila, uma das maiores atletas da canoagem slalom brasileira, deixou o Botafogo após dois anos de vínculo e fez um desabafo contundente sobre sua experiência no clube. Em entrevista ao podcast Rumo Ao Pódio, da GE, a pentacampeã mundial criticou o que chamou de casos de assédio moral contra atletas, além de denunciar a falta de investimento e valorização dos esportes olímpicos no clube.

A atleta, que conquistou cinco medalhas em mundiais, contou que ingressou no Botafogo com grandes expectativas, especialmente após ser recebida pelo então presidente Durcesio Mello, que a acolheu com entusiasmo. "Ele me recebeu de braços abertos, de uma forma tão carinhosa, tão bonita", lembrou. No entanto, a situação mudou com a chegada do novo presidente, João Paulo Magalhães Lins, quando, segundo ela, os esportes olímpicos foram deixados de lado. "O clube não paga um salário digno, a gente tá falando 200, 300, 500 reais para os atletas, para ter uma cobrança absurda, algo assim passível de uma condenação, um assédio moral, dentro do clube", afirmou.

Ana Sátila deixou o Botafogo acompanhada de seu namorado, Lucas Verthein, que havia saído do clube em agosto. Apesar da frustração, ela declarou que continuará torcendo pelo clube. "Eu aprendi a torcer pelo futebol também, tanto que eu vou ser botafoguense pelo resto da minha vida, mas eu não estou mais no clube", disse. A atleta ainda alertou outros atletas sobre a realidade que enfrentou, defendendo que eles devem ser valorizados, especialmente no contexto esportivo brasileiro.

Em resposta, o vice-presidente de remo, João Gualberto Teixeira de Mello, defendeu a gestão do clube. Ele explicou que, devido à perda de receitas com a SAF (Sociedade Anônima do Futebol), o Botafogo depende de contribuições dos sócios e de receitas patrimoniais. "O Botafogo hoje não tem mais a renda proveniente do futebol, que ficou com a SAF. Vivemos hoje da contribuição mensal dos sócios (taxa de manutenção) e de algumas receitas patrimoniais que ficaram com o clube", afirmou. O dirigente ainda negou que o esporte olímpico tenha sido abandonado, destacando investimentos no remo e no basquete.

Segundo João Gualberto, o clube prioriza modalidades nas quais pode "fazer boa figura", como o remo olímpico e o remo de praia, que será modalidade em Los Angeles 2028. Ele também rebateu as acusações de assédio moral, argumentando que Ana Sátila não tinha uma vice-presidência específica a quem se reportar. "Acho que qualquer atleta de alto rendimento de nível olímpico é naturalmente cobrado, embora no caso da Ana Sátila, que não tinha uma vice-presidência específica a quem se reportar, não vejo como ela pudesse ter esse tipo de cobrança", concluiu.

Ler na fonte original (FogãoNET)