A derrocada do Botafogo no Campeonato Brasileiro de 2023, após um primeiro turno histórico, tem sua explicação na visão de Raphael Rezende, ex-membro do departamento de scout do clube. Para ele, o ponto crucial da perda do título reside na decisão de John Textor de contratar Bruno Lage e, consequentemente, alterar o estilo de jogo da equipe, que até então dominava o cenário nacional.
Rezende compara a situação a um “Titanic” que afunda por múltiplos motivos, mas destaca a influência de Textor na escolha de treinadores. “A minha interpretação é que ele quis provar que o Botafogo poderia ser campeão jogando de maneira diferente. Porque o time também estava muito marcado por um time de transição, de contra-ataque”, afirmou em entrevista ao “Glorioso Connection”. A chegada de Lage, com a intenção de implementar uma nova filosofia, foi evidenciada já em sua estreia contra o Santos, na Vila Belmiro, onde a equipe, com Adryelson e Philippe Sampaio com a linha de defesa adiantada, sofreu dois gols nas costas da zaga, apesar de ter buscado o empate em 2 a 2. Esse jogo, segundo Rezende, já sinalizava a mudança traumática que viria a seguir.
O ex-scout argumenta que a tentativa de jogar com posse de bola e linha alta não se adequava às características do elenco, que tinha em Adryelson e Cuesta uma dupla de zaga mais acostumada a atuar com bloco baixo, resolvendo problemas na área e acelerando as jogadas. “O time não era um time que pressionava alto para roubar a bola. Geralmente, as equipes terminavam as jogadas perto da nossa área”, explicou. Ele ressalta que, se o clube tivesse mantido Cláudio Caçapa no comando, o time teria seguido por inércia, mantendo o estilo vitorioso. A mudança, no entanto, quebrou o que estava funcionando, levando à perda de confiança dos jogadores e a uma espiral de resultados negativos.
Rezende ainda sugere que a passagem de Lage pelo Botafogo pode ter sido vista como um trampolim para o Lyon, sem uma análise aprofundada do contexto do futebol brasileiro. “Não parou para analisar o contexto friamente, nem teve tempo para isso. Foi tudo muito rápido”, comentou. Ele conclui que, embora outros fatores como superstição e abalo mental possam ter contribuído, a origem da derrocada foi, inegavelmente, a escolha técnica de mudar o jeito de jogar no meio do campeonato.




