O sucesso recente do Botafogo, coroado com os títulos da Libertadores e do Campeonato Brasileiro em 2024, teve um segredo estratégico em sua formação de elencos: a mudança no perfil físico dos jogadores. Essa abordagem, implementada após a transformação em SAF em 2022, visava criar times mais intensos e competitivos, uma alternativa para enfrentar os gigantes financeiros do futebol brasileiro.
Raphael Rezende, ex-head scout do clube, compartilhou essa visão em entrevista ao canal "Fala Fogão". Ele explicou que, embora houvesse uma influência inicial do Botafogo Way, conceito defendido por John Textor que pregava um futebol mais vistoso e técnico, a realidade do mercado impôs uma adaptação. "Para competir com os principais times e os principais orçamentos do Brasil, não adiantaria fazer o mesmo que eles fazem", afirmou Rezende, destacando a necessidade de uma "via alternativa".
A estratégia, segundo o ex-scout, consistiu em "mudar bem o biotipo da equipe". A busca por jogadores com maior capacidade de duelo e fisicalidade, mesmo que isso pudesse, em tese, fugir do idealizado Botafogo Way, tornou-se um direcionamento interno. "Não foi algo falado aos quatro ventos, não foi algo debatido abertamente, mas foi um direcionamento interno que a gente conseguiu construir no primeiro momento", revelou.
Rezende ressaltou que, embora haja espaço para o talento individual, como no caso de Almada, a montagem de um elenco para uma temporada extensa, com mais de 70 jogos, exige uma base sólida de fisicalidade e saúde. "Cara, saúde é muito importante", pontuou. Ele concluiu que essa ênfase na fisicalidade, muitas vezes deixada de lado em detrimento do talento histórico do futebol brasileiro, foi um caminho fundamental para o Botafogo atingir o sucesso.




