Em uma assembleia do Conselho Deliberativo realizada na noite desta sexta-feira (26/6), o Botafogo social demonstrou um raro momento de coesão política. De acordo com informações do jornalista Thiago Grachet, todos os grupos políticos do clube decidiram apoiar a condução do presidente João Paulo Magalhães Lins no complexo imbróglio que envolve a SAF, a Eagle e o empresário John Textor, união esta que foi classificada por presentes como algo anteriormente impossível.
Durante o encontro, o vice-presidente André Silva trouxe atualizações sobre a GDA Luma, esclarecendo que o clube social agora depende exclusivamente de um acordo entre o fundo e a Ares, processo que também envolve a concordância de Michele Kang, a nova proprietária do Lyon. O clima de tensão, porém, ficou evidente com o desabafo do ex-presidente Carlos Augusto Montenegro, que criticou duramente a falta de honestidade da antiga gestão da SAF e afirmou que a empresa não possui caráter para assumir os erros cometidos.
Montenegro enfatizou a diferença entre a dedicação dos torcedores, que muitas vezes sacrificaram a própria vida financeira pelo clube, e a postura da empresa que detém 90% do futebol. Para o ex-cartola, embora o Botafogo enfrente anos difíceis sob recuperação judicial, o pior momento já teria sido superado, reforçando que a instituição é única, independentemente da divisão entre social e SAF.
No entanto, a situação financeira do clube apresenta riscos graves para a cúpula administrativa. Segundo o jornalista Bernardo Gentile, João Paulo Magalhães Lins e André Silva correm o risco de ter bens pessoais penhorados devido a uma dívida de R$ 540 milhões referente ao Perse (Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos). O montante, que refinanciava dívidas tributárias junto à União, deveria ter sido quitado pela SAF, mas a inadimplência agora ameaça diretamente o patrimônio dos dirigentes.
