A ex-árbitra assistente Ana Paula Oliveira voltou a trazer à tona um episódio marcante de sua carreira, ocorrido em 2007, durante a semifinal da Copa do Brasil entre Botafogo e Figueirense. Em entrevista ao podcast “Qualé, Moré?”, ela revelou que considera ter perdido o escudo da Fifa devido à repercussão de um erro de arbitragem naquele jogo, que culminou na eliminação do Glorioso.
Oliveira relembrou a partida, na qual marcou três impedimentos, sendo um deles equivocado. Segundo ela, a diretoria do Botafogo, após a desclassificação, atribuiu o resultado ao seu erro. "Falou palavras horrendas na entrevista pós-jogo", relatou, citando que o dirigente chegou a questionar a capacidade de uma mulher atuar em jogos de tamanha importância, mencionando o ciclo menstrual como fator que impactaria suas decisões. "Ele misturou uma série de questões para justificar que uma mulher não poderia estar naquele jogo. E que o erro cometido foi em função do fato de eu ser mulher", desabafou.
A ex-árbitra explicou que, na época, optou por não ingressar com ações legais por temer retaliações. "Eu perdi o escudo da Fifa no ano de 2007 por causa do Botafogo", afirmou, detalhando que o dirigente do clube teria solicitado sua "cabeça" à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que na época possuía grande influência. A situação, segundo ela, foi explorada pela imprensa sensacionalista por cerca de oito meses, defendendo o discurso do dirigente e culminando na perda de sua credencial internacional.
Naquele confronto, realizado no Maracanã, Ana Paula Oliveira anulou dois gols que teriam sido legais do Botafogo ainda no primeiro tempo. O Alvinegro precisava vencer por três gols de diferença para avançar, mas triunfou apenas por 3 a 1, resultado insuficiente para a classificação.
