O ex-head scout do Botafogo, Raphael Rezende, concedeu entrevista ao programa "Glorioso Connection" e fez uma análise sincera sobre a contratação do meia uruguaio Santiago Rodríguez, realizada em fevereiro de 2025 por um valor estimado em até US$ 17 milhões (aproximadamente R$ 85,5 milhões). Segundo Rezende, o clube pagou um montante elevado demais pelo jogador, que não conseguiu se firmar totalmente no time e já é cotado para uma possível negociação.
Rezende explicou que a chegada de Santi Rodríguez ocorreu em um momento de reformulação do elenco, com a saída de jogadores experientes e a necessidade de preencher lacunas. "O Santi chega na virada de 24 para 25. A gente abre mão de boa parte do elenco, de contrato com jogadores de mais idade... e o elenco estava muito curto no início da temporada", relatou. Ele reconheceu que Santi é um bom jogador, com boa leitura de espaço e capacidade de articulação, mas ressaltou que seu biotipo não se encaixa no perfil de jogador que vence duelos de competitividade, e que havia "uma série de senões para a utilização dele no Botafogo".
O ex-scout comparou a situação com outras contratações, como a de Matheus Martins, trazido pela metade do valor de Luiz Henrique. "O mercado não precifica absurdamente errado os jogadores a ponto dele chegar aqui e virar o Rei da América. Ele poderia ter tido um rendimento, a gente imaginava que ele tivesse um rendimento acima. Beleza, mas quando você está falando da faixa dos 10 (milhões), você está falando de um tipo de jogador. Quando você estica um pouco a corda você está falando de outro tipo de jogador. Para mim, o Santi era muito mais o jogador dessa prateleira mais abaixo que poderia dar um retorno, tecnicamente", analisou.
Rezende ainda revelou que Santi Rodríguez não era a primeira opção para o setor. O plano A era Bitello, do Dínamo Moscou, mas as condições de negócio se mostraram inviáveis. "O Santi não era um cara para o valor que foi pago, na minha opinião. Mas foi pago, foi acordado e tinha que ser pago o desenho original. Tinham dois nomes e aí não eram nomes exatamente da função dos que estavam saindo, mas de impacto para o time. Era o Wendel, do Zenit, que fechou e depois não veio, e o Bitello, que a gente via como um cara dessa prateleira. Só que as condições de negócio do Bitello o Dínamo Moscou endureceu muito, pediu um valor à vista muito alto e ele não veio." A escolha por Santi foi um segundo movimento, e Rezende acredita que a influência do desempenho de Thiago Almada na MLS pode ter enviesado a decisão, levando o clube a pagar mais por um jogador que não entregaria o mesmo impacto extraclasse.
"A gente fazia a avaliação do jogador, gerava um relatório e falava 'esse jogador aqui tecnicamente é aprovado, ele tem nível, ele tem bom número de participações em gols'. Falava das características, enfim, e depois falava da nossa preocupação sobre o encaixe no que era o momento do Botafogo, o contexto do Botafogo, o acúmulo de jogadores com características parecidas", concluiu Rezende, destacando a dificuldade em encaixar Santi em um elenco com outros meias de características semelhantes, como Montoro e Savarino. Ele finalizou lamentando que "a etiqueta de preço, pesa muito em avaliação de jogador e acho que isso foi de certa forma traumático para o que é o período dele até aqui no clube."




