O ex-head scout do Botafogo, Raphael Rezende, trouxe à tona uma avaliação crítica sobre a contratação do meia uruguaio Santi Rodríguez, admitindo que o clube desembolsou um valor superior ao considerado adequado. O jogador chegou ao Alvinegro no início de 2025, em uma operação que, segundo estimativas, pode ter chegado a US$ 17 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 85,5 milhões na época.
Em entrevista ao portal Glorioso Connection, Rezende detalhou que, embora Santi Rodríguez fosse tecnicamente aprovado pelo departamento de scout, havia ressalvas quanto ao seu encaixe tático e, principalmente, ao alto patamar financeiro da negociação. "O Santi é um bom jogador de futebol, para mim é indiscutível", afirmou o ex-dirigente, elogiando características como a leitura de espaços, a habilidade em atuar em áreas restritas e a capacidade de infiltração na área. No entanto, pairavam dúvidas sobre a efetividade dessas qualidades dentro do modelo de jogo do Botafogo.
Rezende ponderou que o valor pago pelo uruguaio o colocava em uma prateleira diferente de jogadores com potencial de impacto similar ao de Thiago Almada. "O Santi não era um cara para o valor que foi pago, na minha opinião", declarou, ressaltando que o preço de uma contratação inevitavelmente eleva as expectativas sobre o desempenho do atleta. Para ele, Santi Rodríguez poderia entregar retorno técnico, mas não no mesmo nível de jogadores considerados de maior expressividade.
É importante notar que Santi Rodríguez não era a primeira opção do departamento de futebol para o elenco naquele momento. De acordo com Raphael Rezende, nomes como Wendel, então no Zenit, e Bitello, do Dínamo Moscou, eram prioridades e considerados opções de maior impacto. Um acordo com Wendel chegou a ser encaminhado, mas não se concretizou, enquanto as negociações por Bitello esbarraram na exigência de pagamento à vista pelo clube russo. Diante das dificuldades nessas tratativas, Santi Rodríguez ganhou força nas discussões internas. Rezende fez questão de frisar que o departamento de scout apresentava avaliações técnicas e potenciais problemas de encaixe, mas a decisão final sobre as contratações cabia a outras instâncias.
A declaração do ex-head scout ganha ainda mais relevância em um momento em que o futuro de Santi Rodríguez no Botafogo está em pauta, com especulações sobre uma possível negociação com o Columbus Crew, embora a transferência ainda enfrente obstáculos.



