A disputa pela estrutura acionária do Botafogo ganhou um novo e surpreendente capítulo. Na véspera de uma assembleia que poderia alterar o controle do clube, o empresário John Textor apresentou uma proposta de US$ 100 milhões (aproximadamente R$ 517 milhões) para capitalizar e financiar a Sociedade Anônima do Futebol (SAF).
A oferta foi formalizada em uma notificação enviada na noite de quarta-feira (23) ao Botafogo associativo, à SAF e ao Conselho de Administração. No documento, Textor também contesta a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) marcada para quinta-feira (24), questiona o valor de R$ 0,01 definido para as novas ações e solicita o laudo de avaliação econômico-financeira utilizado na operação.
A proposta prevê o desembolso dos recursos em diferentes etapas: US$ 10 milhões em outubro, outros US$ 40 milhões em novembro via empréstimo DIP conversível em ações, e os US$ 50 milhões restantes em janeiro de 2027, destinados a um fundo para aquisição de jogadores. É importante ressaltar que a existência desta proposta não garante sua aceitação nem a retomada do controle da SAF por Textor.
Paralelamente, Textor sofreu um revés judicial. Horas antes da notificação, a Justiça do Rio rejeitou seu pedido para suspender a AGE e aplicou multa por litigância de má-fé, estimada em pelo menos R$ 10 milhões. A decisão determinou que os administradores judiciais da SAF exercerão os direitos políticos referentes às ações da Eagle na assembleia.
A AGE em questão discutirá um aumento de capital por meio da emissão de novas ações, o que pode diluir a participação da Eagle. Atualmente, a estrutura em disputa mantém o Botafogo associativo com 51% e a Eagle com 49%, mas Textor alega ter direitos sobre 90% das ações da SAF com base em uma decisão obtida nos Estados Unidos, um entendimento que segue em disputa no Brasil. Assim, os US$ 100 milhões apresentados surgem como um lance na batalha societária, aguardando as próximas decisões do clube e desdobramentos judiciais.




