A disputa pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo ganhou um novo e acalorado capítulo nesta quinta-feira (24). John Textor, acionista da SAF, manifestou publicamente sua insatisfação com a decisão da Justiça do Rio de Janeiro, que rejeitou seu pedido para suspender a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) do clube. Em sua reação, o empresário fez críticas contundentes ao Judiciário, chegando a classificar a situação como uma "tirania judicial".
A decisão desfavorável a Textor foi proferida pelo juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres, da 7ª Vara Empresarial do Rio. Além de manter a realização da assembleia, o magistrado aplicou uma multa ao empresário por litigância de má-fé, agravando o cenário da disputa societária.
Em uma publicação nas redes sociais, Textor desabafou, sustentando que seus direitos como acionista estariam sendo prejudicados. Ele declarou: "Tirania judicial e intimidação acontecem em muito poucos lugares no mundo, e eu estou profundamente consternado ao saber que isso acontece no Rio de Janeiro, onde eu me orgulhava tanto de ter me tornado um cidadão honorário." O empresário também direcionou críticas diretas ao juiz responsável, afirmando: "Juiz Torres, eu tenho confiança de que você virá a se arrepender das decisões que tomou hoje." Ele ainda classificou o processo, que pode levar à redução da participação da Eagle na SAF, como um "roubo", caracterização que é uma acusação sua e contestada no contexto da disputa.
Anteriormente, Textor havia recorrido à 7ª Vara Empresarial com o objetivo de impedir a realização da AGE, marcada para o mesmo dia. O pedido, no entanto, não foi acolhido. O juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres também questionou a estratégia jurídica do empresário, que envolve disputas em diferentes jurisdições, incluindo Estados Unidos e Inglaterra, além dos processos no Brasil. A batalha gira em torno da estrutura acionária da SAF, com Textor contestando a composição atual e reivindicando uma participação maior com base em decisões obtidas no exterior.
O empresário estendeu suas críticas, sugerindo que o episódio poderia minar a confiança de investidores estrangeiros no futebol brasileiro. "Que idiota ousaria me seguir para investir no Brasil, depois de hoje?", questionou. Ele argumentou que o caso poderia criar um precedente negativo para a Lei da SAF e para o capital estrangeiro no país. A reação ocorre em um momento crucial para o futuro societário do Botafogo, com a assembleia prevista para discutir uma nova emissão de ações que pode diluir a participação da Eagle, enquanto Textor mantém sua ofensiva jurídica e pública.



