Em um novo capítulo da conturbada relação com o judiciário brasileiro, o ex-controlador do Botafogo, John Textor, voltou a disparar críticas, desta vez direcionadas ao juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres, da 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, e aos advogados do clube. Em uma publicação contundente na plataforma X (antigo Twitter), o empresário norte-americano denunciou o que chamou de “tirania judicial” e “intimidação”, após a rejeição de seu pedido para suspender a Assembleia Geral Extraordinária (AGE) da SAF, agendada para esta quinta-feira (24/9), que pode resultar na diluição das ações da Eagle, e a imposição de uma multa por litigância de má-fé.
Textor também não poupou o escritório de advocacia que representa o Botafogo na disputa, acusando-o de operar “acima da lei” e de desfrutar de “privilégios” no sistema judiciário carioca. Em um apelo direto ao juiz Victor Agustin Jaccoud Diz Torres, o empresário solicitou a reconsideração da decisão, alertando para o potencial impacto negativo que tal medida poderia ter na atração de investidores estrangeiros para o futebol brasileiro.
Em sua manifestação, Textor descreveu o que chamou de “Anatomia do Roubo”, detalhando um cenário hipotético onde um acionista minoritário de 10% conseguiria, com o aval do judiciário, “roubar” uma empresa de um investidor estrangeiro de 90%. Ele enumerou passos como a contratação de escritórios de advocacia específicos, a declaração unilateral de maioria acionária, o bloqueio dos direitos de voto do acionista estrangeiro e a subsequente votação para “destruir os interesses” do parceiro. O empresário enfatizou que, caso esse comportamento persista, a mensagem enviada é que “os interesses locais prevalecem no Rio, se você contratar as firmas de advocacia certas”.
“Tirania judicial e intimidação acontecem em muito poucos lugares no mundo, e eu estou profundamente consternado ao saber que isso acontece no Rio de Janeiro, onde eu me orgulhava tanto de ter me tornado um cidadão honorário”, declarou Textor. Ele concluiu sua mensagem com um desafio ao juiz Torres, pedindo que ele considere os impactos mais amplos de sua decisão, que, segundo Textor, “esticou a lei em tantas direções como se tivesse se tornado um advogado de um litigante”, concedendo um “cenário de sonho inescrupuloso a um dono minoritário que buscava realizar um roubo impossível dos interesses dos donos majoritários”. O empresário reiterou que o juiz ainda tem a oportunidade de “se posicionar do lado certo da história” e enviar uma mensagem de que o Brasil “ainda está aberto aos negócios”.




