A venda do Lyon para a empresária Michele Kang pode ter trazido consequências significativas para as finanças da SAF Botafogo, especialmente no que diz respeito à recuperação de créditos. Segundo o especialista Paul Quinn, publicado no site theesk.org, a redação do comunicado oficial da transação sugere que o clube francês foi liberado de suas responsabilidades financeiras com outras afiliadas da Eagle Football, o que impactaria diretamente a dívida com o clube carioca.
De acordo com a análise de Quinn, a cláusula que prevê a liberação do OL Group em relação a obrigações intercompanhias extinguiria os valores devidos à SAF Botafogo dentro do modelo de caixa único. Atualmente, o Alvinegro mantém um processo judicial contra o Lyon que soma cerca de 125 milhões de euros (aproximadamente R$ 745 milhões), tendo inclusive obtido uma ordem inicial de pagamento de 20,8 milhões de euros da Justiça brasileira.
Com a concretização do negócio, a possibilidade de o Botafogo recuperar esses créditos diretamente do Lyon torna-se praticamente inexistente. O especialista alerta que o clube brasileiro passa a ocupar a posição de credor de baixa prioridade dentro da massa falida da Eagle Bidco, perdendo o canal direto de cobrança contra o clube francês após a venda das ações.
Apesar do impacto financeiro negativo na recuperação da dívida, a saída do Lyon do circuito pode ter um efeito colateral positivo na gestão da SAF. A resolução desse impasse financeiro era um dos condicionantes para a venda das ações do Alvinegro para a GDA Luma. Dessa forma, a liberação do clube francês pode acelerar o desfecho desta negociação, facilitando a transição de controle da SAF.
