O Botafogo está empenhado em reverter uma recente decisão judicial que concedeu direitos políticos ao empresário John Textor na estrutura da SAF alvinegra. Apesar da movimentação, o comando da gestão do clube segue firmemente nas mãos de Eduardo Iglesias, CEO da SAF, que atua como interventor judicial.
A diretoria do clube social entende que a decisão do desembargador Luiz Eduardo Canabarro diverge do posicionamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que já validou a competência do Tribunal Arbitral para julgar disputas societárias. A estratégia botafoguense não se trata de um recurso formal, mas sim de uma nova ação judicial com o objetivo de restaurar o cenário anterior à decisão.
"O Textor, por exemplo, pode achar que tem o direito de amanhã chegar lá no Botafogo e falar assim 'com essa decisão aí eu volto a dar as cartas, tá?' O entendimento no clube é outro. É que, na verdade, quem continua dando as cartas é o Eduardo Iglesias por conta da decisão da recuperação judicial. É o executivo", explicou o jornalista Bernardo Gentile. Ele acrescentou que o clube busca "uma nova solução pra voltar ao que era antes", o que, segundo ele, exigiria uma atuação no STJ ou STF.
Bernardo Gentile ressaltou que, na prática, John Textor segue sem poder de gestão direta no clube. "Ninguém está recebendo ordens do Textor. Isso é importante a gente falar nesse momento. Mas ele tem poderes políticos e isso pode significar, por exemplo, ele ter mais poder de negociação ao sentar numa mesa", ponderou. A posição oficial do Botafogo, conforme relatado, é de "não entendermos essa decisão, ela é meio maluca, e a gente vai derrubar nos próximos dias".
O jornalista Thiago Veras complementou, afirmando que a decisão favorável a Textor não anula a determinação judicial que confere a Eduardo Iglesias o poder de gestão. "Não há, digamos, uma colocação do Textor acima dessa figura. Uma coisa acaba se separando da outra", disse Veras. Representantes do clube social também confirmaram que a prioridade é derrubar a decisão que concedeu os direitos políticos ao empresário.
