A recente passagem de John Textor pelo Rio de Janeiro gerou desconfiança entre membros da cúpula do Botafogo associativo. Segundo informações, dirigentes interpretam a movimentação do empresário como uma estratégia para pressionar o cenário político do clube e construir uma narrativa que favoreça seu retorno. Textor esteve em General Severiano, participou do evento Libertadores Experience e concedeu entrevistas onde reafirmou sua crença de ser proprietário do Botafogo e expressou o desejo de retomar o diálogo com o clube social.
A atual diretoria, no entanto, tem uma visão distinta. Um integrante ouvido pela reportagem classificou a visita como uma tentativa de "tumultuar o ambiente e criar narrativas fantasiosas para a imprensa que ainda dá espaço". A cúpula alvinegra não acredita que as ações de Textor sejam capazes de impedir o processo em andamento, que inclui uma Assembleia Geral Extraordinária marcada para quinta-feira, dia 24, para discutir um aumento de capital da SAF. Essa operação faz parte de uma reorganização societária que ocorre em paralelo às negociações com a GDA Luma.
Dirigentes lembraram que o próprio Textor já havia defendido anteriormente uma operação similar, envolvendo aumento de capital e a entrada da GDA Luma. A diferença, na interpretação da gestão atual, reside no respaldo jurídico adotado neste momento. "Tudo o que a gente está fazendo foi ele que quis fazer. E ele pediu para a gente ajudar. Mas como é que a gente ia ajudar sabendo que ia dar problema?", questionou a fonte ligada à diretoria, ressaltando a disputa de versões entre Textor, o clube associativo e a estrutura da SAF.
Nos bastidores, a relação entre as partes segue deteriorada, com críticas contundentes sendo feitas a John Textor. Ele foi descrito como "um artista" que "criou uma narrativa de vitimismo" e cuja "conversa não é reta, faz curva". Textor, por sua vez, apresentou uma versão diferente, manifestando o desejo de reconstruir pontes com o Botafogo associativo e sustentando sua posição como proprietário da SAF, confiante em um possível retorno ao comando. A situação jurídica, contudo, permanece em disputa, com decisões nos Estados Unidos reforçando seus argumentos, mas sem garantir o retorno automático à administração da SAF no Brasil.
A atual cúpula pretende seguir com o planejamento estabelecido com a GDA Luma, independentemente das declarações públicas de Textor. Embora as manifestações do empresário possam influenciar o debate entre torcedores, especialmente diante do momento esportivo atual, a gestão acredita que não alterarão o caminho planejado. A disputa continua em diferentes frentes, com Textor buscando diálogo e defendendo seu direito de retorno, enquanto o clube associativo mantém sua estratégia de reorganização da SAF e avança nas tratativas com a GDA Luma.



