O ex-técnico do Botafogo, Ney Franco, que comandou o clube entre 2008 e 2009, compartilhou em entrevista ao "Charla Podcast" detalhes curiosos e até pitorescos sobre sua contratação pelo Glorioso. Franco relembrou que sua passagem pelo Alvinegro foi marcada por um momento de tensão e reviravolta.
"A minha passagem no Botafogo é muito bacana também, cara. Peguei um time para livrar de rebaixamento, conseguimos", iniciou o treinador. Ele contou que, após a saída de outro comandante (possivelmente Cuca), foi contatado por Bebeto de Freitas. A reunião ocorreu na casa de Bebeto, em Ipanema, na companhia de seu auxiliar, Ricardo Rotenberg. "Saí da casa do Bebeto meia-noite, uma hora da manhã, contratado pelo Botafogo", relatou Franco, que na época morava em Belo Horizonte.
O acordo parecia selado, com Ney Franco se preparando para se juntar à delegação em Recife para um jogo contra o Náutico. No entanto, ao desembarcar em BH, o treinador foi surpreendido com diversas ligações de Rotenberg. "Cara, eu queria te falar uma coisa. A gente contratou o Geninho", disse Rotenberg, explicando que Bebeto havia mudado de ideia e optado por Geninho. "Mas estava acertado, acertamos tudo aí. Estou com a lista dos jogadores aqui. Vocês pediram até palpite para definir os 20 jogadores que viajariam", lamentou Franco, que, apesar da frustração, aceitou a decisão: "Bacana, tranquilo. Bom, passou, cara. Aí o Geninho começou o trabalho dele, né? Geninho, gente boa pra caramba. Adoro o Geninho", completou.
A reviravolta definitiva aconteceu enquanto Ney Franco estava no dentista em Belo Horizonte. O telefone tocou, e era Carlos Augusto Montenegro. "Eu sei que você está puto com o Botafogo. Quero ser objetivo com você. Você quer trabalhar no Botafogo?", perguntou Montenegro. Franco prontamente respondeu: "Lógico, Montenegro, que eu quero trabalhar no Botafogo". O dirigente, então, o instruiu a ir para o Rio de Janeiro. "Então esquece tudo que o pessoal falou com você. Vem aqui para o Rio hoje. Vem aqui", disse Montenegro, que se encontrou com Franco em um escritório em Ipanema. "Todo mês o seu aluguel aí eu vou pagar. Pode escolher onde você quiser", prometeu Montenegro, que combinou o salário e enviou Franco para assinar a carteira e iniciar o trabalho. "A minha contratação foi assim, cara. Na cadeira do dentista. E a gente fez um trabalho bom", concluiu Ney Franco, lamentando que Montenegro não tenha permanecido mais tempo no clube para acompanhar o trabalho.




