Franclim Carvalho, que vive sua primeira experiência como treinador principal no Botafogo após ser campeão como auxiliar de Artur Jorge em 2024, concedeu entrevista ao jornal português “Record” e abordou as mudanças no clube e a necessidade de alinhar as expectativas da torcida com a realidade do elenco. Ele admitiu que o time atual não figura entre os melhores do país.
“Mudou muita coisa! O clube melhorou, as infraestruturas melhoraram. Quando estive aqui, em 2024, estreamos os vestiários, a academia e uma nova parte do CT. O clube melhorou muito. Os objetivos do clube têm que ser definidos, porque as condições hoje em dia são diferentes. As infraestruturas são melhores, mas os jogadores são diferentes, os treinadores são diferentes… é preciso uma gestão de expectativas real”, declarou Franclim.
Ao ser questionado sobre o nível do elenco, o treinador foi categórico: “Em 2024, se não tínhamos o melhor, tínhamos um dos melhores elencos do Brasil. Agora não é essa a realidade. Naquela altura, tínhamos condições para ombrear com o Flamengo e Palmeiras, que neste momento são os clubes que estão acima. Este ano acho que temos que somar Fluminense e Cruzeiro, que são muito fortes, e nós neste momento não estamos nesse nível. Temos jogadores cobiçados e procurados por outros clubes que têm qualidade, mas no seu todo sabemos que temos que fazer alguns ajustes”.
Franclim também comentou sobre a paixão do torcedor brasileiro, especialmente o botafoguense, classificando a pressão como um “privilégio”. Ele ressaltou a importância de manter o equilíbrio diante da euforia e depressão que podem surgir em curtos períodos no futebol nacional. “Costumo dizer que, no Brasil, a depressão e a euforia distam três dias. Ganhamos hoje e estamos num estado de euforia tremendo. Perdemos três dias depois e entramos em depressão. Isso não pode acontecer! Acho que o segredo é tentarmos manter o equilíbrio, que é muito difícil”, explicou.
O técnico enfatizou que, embora compreenda a emoção do torcedor, os profissionais do clube precisam priorizar a razão. “Percebo a paixão e a emoção dos torcedores, percebo que às vezes o torcedor tem menos razão e mais paixão. Isto é normal e nós precisamos dessa paixão dos torcedores. Os treinadores e atletas têm que primeiro ter a razão e depois a emoção. Temos que ter esta capa protetora e esquecer o que nos rodeia. Primeiro a razão, só depois a emoção. A paixão dos torcedores é muito importante para mim, que também sou um apaixonado. É um privilégio sentir essa paixão”, concluiu.
