Nos primeiros meses da gestão de John Textor como dono da SAF do Botafogo, o clube almejava enviar uma mensagem forte ao mercado com a contratação de nomes até então considerados inatingíveis. Raphael Rezende, ex-coordenador de scout do Glorioso, relembrou em entrevista ao podcast "Storicast" as tentativas de trazer o atacante israelense Eran Zahavi, que na época atuava no PSV, e o belga Dries Mertens, então jogador do Napoli. Ambos os atletas já encerraram suas carreiras.
"O primeiro movimento muito fora da curva, e isso era muito incentivado pelo John, eu não sei nem o que teria acontecido, mas tivemos um movimento forte pelo Zahavi, o israelense, que estava na Holanda e que também saiu fazendo gol de tudo quanto é jeito depois que a gente não fechou", comentou Rezende, destacando a ambição por trás dessas movimentações. Ele também mencionou Mertens, ponta da seleção belga, como outro alvo que não se concretizou.
Rezende explicou que essa estratégia inicial visava demonstrar o poder de investimento do novo proprietário. A contratação de Patrick de Paula por seis milhões de euros (avaliando o jogador em 12 milhões) foi um exemplo dessa abordagem, buscando jovens talentos do futebol brasileiro com potencial de valorização. "A conversa era nos seguintes moldes: jogadores jovens do futebol brasileiro, das principais equipes, que a gente consegue comprar. E aí tinha que fazer esse recorte", detalhou o ex-scout, ressaltando que essa visão era impulsionada por John Textor.
O ex-scout reconhece que essa "megalomania" inicial, embora tenha elevado o patamar do Botafogo e levado o clube a conquistas importantes em 2024, também contribuiu para a atual crise financeira e administrativa. No entanto, Rezende demonstra confiança na capacidade dos profissionais que permanecem no clube para reerguer o Glorioso. "Eu escutava a seguinte frase: 'Se o Botafogo for campeão brasileiro e da Libertadores e depois acabar, está tudo bem.' Aí, o clube quase acaba e a torcida fica desesperada", brincou, antes de elogiar a equipe que toca o dia a dia, como Eduardo Iglesias (CEO), Brunno Noce (scout) e Deive Bandeira (negócios), que foram parte do grupo campeão.
