O empresário John Textor voltou a se manifestar publicamente sobre a polêmica envolvendo o controle da SAF do Botafogo. Durante sua presença na Libertadores Experience, evento promovido pela Conmebol no Rio de Janeiro, Textor reafirmou sua posição como proprietário do futebol alvinegro. A declaração surge dias após uma decisão judicial favorável a ele nos Estados Unidos, embora a situação jurídica e societária no Brasil ainda apresente complexidades, mantendo o empresário afastado da administração da SAF.
Em entrevista ao "GE", Textor expressou sua expectativa de que a decisão americana seja reconhecida no Brasil, admitindo que o processo judicial pode se estender. "É uma decisão dos Estados Unidos, mas sou o proprietário aqui no Brasil. O contrato pelo qual vendi minhas ações para a Eagle foi firmado nos Estados Unidos e é nulo tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil. Levará algum tempo para que o processo judicial seja concluído aqui. Talvez se resolva aqui no Rio, talvez tenha que chegar a Brasília, mas no fim das contas, eu sou o dono. É muito frustrante estar fora do clube agora", declarou o empresário.
Essas afirmações refletem a tese jurídica defendida por Textor, que, no entanto, ainda não se traduz automaticamente na estrutura societária reconhecida pela gestão da SAF no Brasil. O empresário também ressaltou a importância do caso para além do Botafogo, visando a proteção de investimentos em SAFs brasileiras.
Textor classificou o conflito como uma "briga de família" entre ele e a Eagle, e criticou a postura de clubes sociais que, em sua visão, se aproveitam da situação de forma oportunista. "Claro que digo isso de forma egoísta, porque meu interesse é o meu amor por este clube, mas acho que há muito mais em jogo do que apenas Botafogo. Acredito que, no fim das contas, os tribunais chegarão às decisões corretas. Eu sou o dono. Esta é uma briga de família entre mim e a Eagle. Sempre foi assim, isso já passou. Não acho que os clubes sociais devam se aproveitar da situação de forma oportunista. É hora de voltarmos ao caminho dos títulos, precisamos ser campeões", afirmou.
No Brasil, a SAF do Botafogo enfrenta um cenário distinto, com a empresa em recuperação judicial e decisões judiciais no Rio de Janeiro que afastaram Textor da gestão. Atualmente, a composição societária considerada pela SAF aponta para 51% das ações com o Botafogo associativo e 49% com a Eagle Bidco. Uma assembleia em breve analisará um aumento de capital, que poderá diluir a fatia da Eagle, dependendo da participação dos acionistas. Assim, John Textor mantém sua posição pública de dono e a disputa segue em aberto, aguardando as decisões da justiça brasileira e os próximos movimentos societários.




