Uma série documental produzida pela TV pública alemã "ARD", intitulada “Por dentro do Futebol – Quem compra o jogo?”, trouxe à tona um momento íntimo e revelador dos bastidores do Botafogo. O segundo episódio, exibido na Alemanha, foca na figura de John Textor, presidente e proprietário do clube, acompanhando a estreia alvinegra no Campeonato Brasileiro, que culminou em uma expressiva goleada sobre o Cruzeiro.
Naquela ocasião, Textor já se encontrava imerso em uma complexa disputa jurídica pela liderança da Eagle Football, envolvendo a Ares e o Lyon. Uma das cenas mais marcantes do documentário capta o empresário em um discurso direto ao elenco, no vestiário do Estádio Nilton Santos, logo após a vitória por 4 a 0. Com Léo Coelho, diretor de coordenação de futebol, atuando como tradutor, Textor transmitiu sua firmeza e comprometimento.
"Eu sou o presidente, sou o dono, sou irmão de vocês, sou da família e não vou a lugar nenhum. Desde que começamos este projeto juntos, sempre houve oposição externa. Mas estamos juntos, continuamos sendo uma família e nosso foco está no campo", declarou Textor, com um olhar direto para os jogadores. Ele prosseguiu, detalhando a magnitude de seus desafios: "Estou em guerra com os nossos parceiros na França, com os nossos credores. Estou pressionando-os ao máximo, e é por isso que agora eles querem me pressionar aqui, porque sabem que este é o clube que eu mais amo".
A série explora a trajetória de John Textor como um exemplo do modelo multiclubes, que tem ganhado força nas principais ligas europeias. Além das declarações do próprio Textor, o documentário apresenta a visão de Alessandro Brito, diretor de gestão esportiva do Botafogo, sobre as vantagens dessa estrutura. "O Brasil possui uma longa tradição de revelar jogadores talentosos. No futuro, esses jogadores poderão dar o próximo passo em suas carreiras dentro da nossa rede, transferindo-se para a Europa e integrando um dos clubes da nossa plataforma. Este é um modelo inovador, ainda relativamente incomum no futebol brasileiro: uma rede estruturada de diversos clubes que se conectam", explicou Brito.
É importante notar que, desde o jogo contra o Cruzeiro, ocorrido no final de janeiro, o cenário nos bastidores do Botafogo sofreu transformações significativas. A crise com a Ares e as ações judiciais movidas pela SAF do clube contra o Lyon indicam um distanciamento do modelo multiclubes sob a gestão de Textor, com o Glorioso agora buscando soluções para viabilizar suas operações financeiras e esportivas.
