A recente notícia sobre a colocação da SAF do Botafogo à venda em um jornal britânico, embora tenha gerado reações nas redes sociais e na imprensa, foi classificada como um mero procedimento burocrático pelo jornalista especializado em negócios no esporte, Rodrigo Capelo. Em sua análise, Capelo explicou que a Cork Gully LLP, nomeada interventora da Eagle Football Holdings pela Justiça do Reino Unido para reorganizar as finanças de John Textor, tem como dever renegociar dívidas e vender ativos do grupo, o que inclui os clubes de futebol como o Botafogo, Lyon e Molenbeek. O anúncio no Financial Times é, portanto, uma formalidade legal para informar o mercado sobre a disponibilidade desses ativos, prática comum para empresas em processo de insolvência na Inglaterra.
No entanto, apesar de minimizar a relevância do anúncio em si, Rodrigo Capelo fez um alerta contundente sobre a situação financeira da SAF alvinegra. Ele destacou que, mesmo com o expressivo aumento da receita projetada para os próximos anos – saltando de R$ 312 milhões em 2023 para R$ 607 milhões em 2024 e R$ 655 milhões em 2025 –, o clube amarga prejuízos recorrentes, próximos a R$ 300 milhões anualmente. A dívida da SAF atingiu um patamar alarmante de R$ 1,7 bilhão, um valor que já desconsidera disputas com a Eagle e o Lyon e que representa um montante a ser pago no curto e médio prazo.
Diante desse cenário, o especialista foi enfático ao afirmar que a operação da SAF, por si só, não tem capacidade de sustentar suas finanças. "Com as próprias pernas, a SAF não consegue. Ou alguém põe dinheiro, ou um processo de falência se avizinha", alertou Capelo, ressaltando a urgência de um aporte financeiro externo para garantir a saúde econômica do Glorioso e evitar um desfecho drástico.
