O Botafogo confirmou na noite desta quinta-feira (14) o ajuizamento do pedido de recuperação judicial, uma medida que a diretoria considera essencial para a proteção do clube, a preservação de suas atividades e a garantia da continuidade do projeto esportivo. A decisão surge em meio a um cenário financeiro considerado grave, agravado por sucessivos bloqueios, riscos de transfer bans impostos pela FIFA, vencimentos antecipados de obrigações e severas restrições de caixa que comprometem a operação diária.
Com a recuperação judicial, a SAF Botafogo busca uma reorganização estruturada, visando maior estabilidade jurídica e financeira para negociações com credores, investidores e parceiros. O processo formalizará a elaboração de um plano de recuperação, que será submetido aos credores sob supervisão judicial, criando um ambiente de previsibilidade e proteção institucional para o reequilíbrio financeiro. A medida se tornou indispensável após as recentes sanções desportivas, pois a própria FIFA indicou que a tutela cautelar anteriormente deferida não possuía os mesmos efeitos jurídicos do processamento da recuperação judicial.
Em sua nota oficial, o clube fez críticas contundentes à gestão da Eagle Football e a John Textor. Segundo o Botafogo, a SAF sofreu um forte processo de descapitalização dentro da estrutura do grupo, com mais de R$ 900 milhões que "deixaram de retornar ao Botafogo", ao mesmo tempo em que o clube deixou de receber os aportes e o suporte financeiro necessários. A nota destaca que, enquanto outros ativos do grupo receberam investimentos substanciais, como os aproximadamente US$ 90 milhões no Lyon, o Botafogo permaneceu por mais de um ano sem injeção relevante de recursos, mesmo diante de alertas sobre a deterioração do caixa.
A diretoria alvinegra afirma que a Eagle Football e seus representantes tinham pleno conhecimento da gravidade da situação financeira e, além de não promoverem os aportes necessários, "permaneceram como os principais beneficiários da estrutura financeira que retirou recursos relevantes do clube sem a correspondente recomposição de capital ou suporte operacional adequado". A condução adotada pela Eagle Football e por John Textor é apontada como um "absoluto descompromisso com a estabilidade financeira e institucional da SAF Botafogo", contribuindo diretamente para o agravamento da crise e a fragilidade que tornou a recuperação judicial inevitável.
O clube assegura que seguirá operando normalmente, com esforços concentrados para garantir a plena continuidade de suas atividades esportivas e administrativas. Salários de atletas, comissão técnica e funcionários, assim como contratos com fornecedores e demais compromissos essenciais, continuarão sendo honrados regularmente. O Botafogo reforça que a recuperação judicial é um instrumento para proteger o clube, reorganizar finanças, preservar empregos, honrar compromissos, manter a competitividade e garantir sua existência para as próximas gerações, sempre com transparência e supervisão judicial.
