Uma reviravolta na negociação que levou o atacante Savarino do Botafogo para o Fluminense no início do ano foi revelada pelo ex-presidente do clube, Carlos Augusto Montenegro. Segundo ele, o valor de US$ 4,5 milhões, mais a cessão de Wallace Davi, não chegou aos cofres alvinegros, tendo sido integralmente repassado ao Lyon, clube que detinha os direitos econômicos do jogador.
Em declarações ao canal "Gerações Botafoguenses", Montenegro expressou surpresa e indignação com o desfecho. "O Savarino não queria sair do Botafogo, o Savarino adora o Botafogo, adorou o ambiente, adorou o clube, adorou tudo. Mas foi obrigado a sair, por causa do salário", relatou o ex-dirigente. Ele detalhou que, quando o Fluminense se preparava para efetuar o pagamento ao Botafogo, a SAF do clube informou que o destino do dinheiro seria o Lyon. "Como assim? Ele nunca jogou lá", questionou Montenegro, ressaltando a estranheza da situação, já que o jogador não teve passagem pelo clube francês.
Montenegro levantou sérias dúvidas sobre a transparência e os benefícios da operação para o Botafogo. "O Savarino não era do Lyon. Estava registrado no Lyon. O ativo Savarino era do Lyon. Eu não sei como é que é esse negócio, no mundo do empresário esportivo, eu não sei, juro por Deus que eu não sei. Eu sei que o Fluminense pagou o Lyon", afirmou. Ele ponderou que a SAF do Botafogo, em tese, se livrou do salário do atleta, mas questionou o que o clube de fato ganhou com a transação, especialmente considerando a necessidade do time em manter seus destaques.
O ex-presidente aproveitou para fazer críticas mais amplas à gestão da SAF, citando outros episódios como o não pagamento de transfer bans, o caso de Almada e o aumento expressivo da dívida do clube. "O cheiro não é bom. Terrível. Quando tem um cheiro de gambá num lugar perto, numa gaveta ou outra, o cheiro não é bom", sentenciou Montenegro, indicando uma percepção de irregularidades nas negociações conduzidas sob a era John Textor.
