O ex-presidente do Botafogo, Carlos Augusto Montenegro, elevou o tom em suas críticas à gestão de John Textor à frente do clube. Em entrevista ao programa Os Donos da Bola, da Band, Montenegro reconheceu a importância do empresário norte-americano em momentos cruciais para o Glorioso, mas apontou que a reta final de sua administração foi marcada por uma série de problemas que mergulharam o Alvinegro em uma crise institucional.
Montenegro destacou que a chegada de Textor foi fundamental para resgatar a autoestima da torcida, melhorar as instalações do Nilton Santos, aumentar o quadro de sócios e atrair grandes patrocinadores, além de ter sido peça-chave para conquistas importantes como a Libertadores e o Campeonato Brasileiro. No entanto, o ex-dirigente ressaltou que o cenário mudou drasticamente nos últimos meses. "O Textor resgatou a autoestima do botafoguense, melhorou o Nilton Santos, aumentou o número de sócios e trouxe grandes patrocinadores. Mas depois passamos de uma história de superação para um filme de terror", declarou.
O ex-dirigente dividiu a passagem de Textor em duas fases distintas. A primeira, segundo ele, foi marcada pela reconstrução do clube e pelas vitórias esportivas. Já a segunda fase, de acordo com Montenegro, foi caracterizada por problemas administrativos e financeiros no departamento de futebol. Ele também mencionou que a crise fez com que dirigentes do Botafogo Social percebessem dificuldades que antes passavam despercebidas, e acrescentou: "Eu aprendi na vida que não existe profissional e amador. Existe seriedade e brincadeira. Honestidade e falta de honestidade. E agora nós conhecemos um fator novo: não falar a verdade".
Montenegro também revelou que diversos empresários e parceiros teriam demonstrado insatisfação com a condução dos negócios sob a gestão da Eagle Football. Um ponto de atenção levantado pelo ex-presidente foi a expectativa por uma auditoria que deverá analisar as operações realizadas durante o período de administração de Textor. Segundo ele, recursos obtidos pelo Botafogo com premiações e negociações teriam sido, supostamente, direcionados para outros projetos ligados ao grupo multiclubes da Eagle Football. Apesar das críticas contundentes, Montenegro afirmou não guardar ressentimentos pessoais em relação ao empresário, reconhecendo a importância das conquistas obtidas durante o período. "Ele me deu talvez uma das maiores alegrias da minha vida no esporte. Mas também deixou problemas que precisam ser esclarecidos", concluiu.
Com a SAF do Botafogo próxima de uma nova configuração com a possível entrada da GDA Luma, o debate sobre o legado de John Textor continua a agitar os bastidores do clube e a dividir opiniões entre torcedores e dirigentes.
