O ídolo e maior artilheiro do Nilton Santos, Loco Abreu, marcou presença no estádio nesta quarta-feira (6/5) para acompanhar a vitória do Botafogo sobre o Racing por 2 a 1, pela Copa Sul-Americana. O uruguaio, atual técnico do Tihuana, do México, concedeu entrevista à Botafogo TV e abriu o coração sobre o sentimento de retornar ao palco de tantas glórias.
"Na hora da gente estar aqui, todo mundo acha que, pô, mata a saudade, muita felicidade. Mas, na verdade, tem um buraco aqui dentro que você não enche, que é angústia, é tristeza, é melancolia. É aquilo que você experimenta quando entra no campo. Aquela sensação de decisão. Aquela sensação de jogo é, para mim, o que vai dar samba, e hoje já não tem", desabafou Loco, com sua habitual sinceridade. Ele brincou sobre o desejo de encontrar uma "vitamina que desse força para jogar até os 80 anos", contrastando a longevidade de outras profissões com o fim abrupto da carreira de jogador. "Acabou o futebol? Acabou, acabou essa vida, acabou. Já não tem possibilidade de voltar", lamentou, mas logo emendou com um sorriso sobre a adrenalina de marcar gols decisivos.
Antes da partida, o uruguaio fez suas previsões, analisando o confronto contra o Racing. "Acho que nervoso não. Acho que você fica nervoso quando vê que o time não tem condições e que o outro time é melhor. Mas o Racing também não está na fase boa, vem com muitas complicações. Acho que o sintético vai atrapalhar também. Só que a gente vai ter que ter muita paciência, muita tranquilidade, quando ele fica em um bloco baixo para querer explorar o contra-ataque, porque tem um centroavante chato, que briga com o zagueiro, faz pivô, entra muito bem no segundo pau, os cruzamentos que normalmente o zagueiro sofre", detalhou, demonstrando seu conhecimento tático.
Loco Abreu também comentou sobre sua transição para a carreira de treinador, destacando a experiência de comandar o próprio filho, Diego Abreu, no Tihuana. "Acho que foi a transição correta pra deixar o jogador e abrir a porta pro treinador. Mas eu tinha muito cuidado com, por exemplo, não me escalar. Eu ficava no banco. Aí o jogo acontecia e naturalmente o jogo pedia as características de um centroavante de área e eu me colocava no segundo tempo", explicou. Ele ressaltou a importância da parte humana na gestão de grupo, mesmo com o avanço da tecnologia no futebol. "Tem muita tecnologia hoje no futebol, muita, muita, que a gente precisa. Mas acho que, em alguns momentos, está se perdendo a parte humana, né? De saber se o cara tem problema em casa, como ele mora, qual a dificuldade que ele tem, como a gente pode ajudar ele", concluiu.
