A recente polêmica envolvendo a frase "chiem o que quiserem", dita pelo presidente do Botafogo, João Paulo Magalhães Lins, em áudio que justificava a contratação de seu amigo pessoal, Thiago Alves, como gerente de futebol, gerou repercussão. O jornalista Thales Machado, em sua newsletter "Que Jogo é Esse", do "O Globo", analisou a situação, ponderando os méritos do presidente do associativo na transição e no acerto com a GDA Luma, mas criticando sua crescente influência direta nas decisões do futebol.
Segundo Machado, enquanto investidores negociam a SAF, o associativo, detentor dos 10% restantes, tem recuperado espaço. João Paulo Magalhães é visto como figura central nesse movimento. "Seria injusto ignorar sua importância quando a gestão Textor mergulhou o Botafogo no caos: ele ocupou um vazio que alguém precisava ocupar e emprestou presença institucional a uma operação sem rumo", escreveu o jornalista. No entanto, ele ressalta que "o problema começa quando a autoridade conquistada na emergência se transforma em autorização para redesenhar o futebol. Apagar um incêndio dá crédito ao bombeiro, mas não o transforma automaticamente em arquiteto da reconstrução".
O jornalista também questionou o currículo de Thiago Alves e citou outras indicações feitas por João Paulo Magalhães. Após a goleada sofrida para o Cienciano na Sul-Americana, o presidente do associativo participou de reformulações que levaram o assistente técnico Marcelo Salles e o preparador físico Ronaldo Torres ao futebol da SAF. Houve ainda a tentativa de contratar Paulo Bonamigo como coordenador, que desistiu após reação negativa da torcida. Todos esses nomes, assim como Thiago Alves, já trabalharam com João Paulo no Boavista.
Thales Machado argumenta que o Botafogo associativo, através da AssociaSAF, tem ido além de sua função primordial de fiscalizar o investidor, proteger o patrimônio e a identidade do clube. Ao administrar informalmente o futebol, o associativo perde a independência necessária para cobrar quem de fato comanda. "O Botafogo não precisa escolher entre o poder sem freios de John Textor e a restauração dos métodos que a SAF prometeu superar", concluiu o jornalista, alertando que substituir o controlador da SAF sem mudar a lógica de gestão pode apenas trocar quem autoriza o "chiado".




