Uma perícia encomendada pela Justiça, no âmbito do pedido de recuperação judicial da SAF do Botafogo, trouxe um parecer positivo quanto à viabilidade operacional do clube, mas ressaltou a recuperação judicial como um "instrumento essencial" para o momento atual. O relatório, divulgado nesta segunda-feira (4/5), aponta para a necessidade urgente de reestruturação do passivo, preservação do caixa e reorganização da governança, pois a empresa que controla o futebol alvinegro enfrenta um "grave desequilíbrio financeiro e patrimonial".
De acordo com o documento, a SAF do Botafogo vive um momento de "estrangulamento do fluxo de caixa", dependendo de injeções de recursos de terceiros para sua manutenção. Essa situação é evidenciada por índices de liquidez abaixo de 1,0 e um crescimento expressivo da dívida, superior a 100%. Apesar dos desafios financeiros, a perícia destacou a importância histórica e social da SAF Botafogo, mencionando sua relevância na geração de empregos, pagamento de impostos, produção cultural e o impacto na vida de milhares de torcedores, o que leva a crer em "sólida perspectiva positiva de seu soerguimento".
O parecer será analisado pela 2ª Vara Empresarial da Justiça do Rio. A própria Justiça já havia antecipado alguns efeitos da recuperação judicial, como a suspensão de execuções por 60 dias, a suspensão dos direitos políticos da Eagle Bidco/Ares e a manutenção de Durcesio Mello como diretor interino da SAF. O processo judicial busca, portanto, viabilizar a continuidade das operações do clube em meio a um cenário financeiro delicado.
