O ex-treinador do Botafogo, Artur Jorge, relembrou em entrevista ao Charla Podcast um momento marcante de sua passagem pelo clube em 2024. Após uma sequência de empates que gerou forte pressão e críticas da imprensa, com falas sobre "pipocada" e "abalos psicológicos", o comandante português decidiu convocar uma coletiva de imprensa para mudar o cenário. A ação ocorreu na véspera de uma vitória crucial por 3 a 1 contra o Palmeiras, no Allianz Parque.
"Eu senti que precisava e na altura falei com o meu assessor, o Marcão (Silva), que era o assessor do clube. Nós precisávamos de ter esse papel", explicou Artur Jorge. Ele destacou a diferença entre a cultura brasileira de análise pós-jogo e a necessidade de um espaço para projeção e planejamento. "Nós ali estamos só a falar em consequência. Não estamos a falar em projeção. E eu naquele momento senti que nós tivemos, salvo engano, três empates seguidos e onde o Palmeiras se põe colado a nós em termos de pontos, mas onde nós tínhamos, eu senti essa necessidade", completou.
O técnico revelou que a iniciativa de convocar a coletiva partiu dele, com o objetivo de posicionar o clube e demonstrar resiliência. "Fui eu que convoquei essa coletiva, fui eu que disse à minha comunicação do clube que eu queria falar e posicionar-me em relação àquilo que era o que nós estávamos a sentir dentro. E fizemos-o. E era exatamente com a intenção de poder demonstrar que estávamos ali de cabeça erguida e que estávamos para o que viesse", afirmou.
Artur Jorge também comentou sobre a percepção da mídia e da opinião pública, que, segundo ele, "distorce e faz aquilo que quer". Ele ressaltou a importância de mostrar a força do grupo diante de uma semana decisiva, que incluía confrontos contra Palmeiras, pela Libertadores, e Internacional. "Tens essa final do Palmeiras, tens a final depois da Libertadores e tens uma final com Internacional que tens de ganhar também. Isto numa semana. Porque o jogo de São Paulo já é de consagração, porque o Palmeiras também perdeu, mas tens uma semana para decidir dois campeonatos", pontuou.
Por fim, o agora treinador do Cruzeiro fez questão de enaltecer o trabalho coletivo que culminou nas conquistas, mencionando o apoio de John Textor, a estrutura do clube e a torcida. "Não é um trabalho só meu. Não. É um trabalho de uma estrutura de um clube, onde cada um teve um papel fundamental. O John (Textor) apostou, meteu e deu aos jogadores que a equipa precisava, a torcida sempre. Aquilo que é estrutura de base do clube impecável, hoje sei que são amigos, amigos de batalhas. E uma batalha que é de um clube, de um clube e de uma instituição", concluiu.




