O ex-coordenador de scout do Botafogo, Raphael Rezende, concedeu entrevista ao "Charla Podcast" e abordou a polêmica sobre o desempenho do elenco de 2024, que conquistou a Libertadores e o Campeonato Brasileiro, mas que, segundo ele, não é o responsável pela atual situação financeira do clube. Rezende destacou que a estratégia de John Textor na SAF, com a "megalomania" de dobrar a aposta após 2023, foi um fator crucial, mas que o elenco campeão não era tão caro e se pagava pela receita gerada.
"O time de 24, o time campeão, não é o time que gera as dívidas e o buraco financeiro que se identifica hoje", afirmou Rezende, ressaltando que, com exceção da questão de Almada, o restante do elenco de 2024 não representava um custo tão elevado e gerou receita através de vendas. Ele também criticou a falta de continuidade do trabalho, apontando a saída de Artur Jorge como um ponto de inflexão. "O ideal era você ter uma manutenção da comissão técnica para tocar o trabalho a partir de 2025, ainda mais tendo o Mundial de Clubes no horizonte", ponderou.
Rezende defendeu a ideia de manter a espinha dorsal da equipe e a comissão técnica vitoriosa para dar estabilidade ao clube, que constantemente lida com a entrada e saída de jogadores. Ele lamentou a perda de jogadores como Marlon e Savarino por questões financeiras, que, segundo ele, comprometeram a sustentação técnica do time. A influência de decisões técnicas sendo relegadas a segundo plano por outras questões, como as relacionadas à Eagle e ao Lyon, também foi apontada como um fator negativo.
O ex-coordenador também comentou sobre a gestão de expectativas, sugerindo que uma comunicação clara com o torcedor sobre um possível "passo atrás" após as conquistas poderia ter sido mais bem recebida. Ele criticou a "dobrada de aposta" em um contexto desfavorável e a falta de unidade em um planejamento esportivo mais claro. Apesar do cenário delicado, Rezende acredita que o Botafogo ainda pode se reerguer, destacando a qualidade individual do elenco remanescente e a importância do trabalho das pessoas do dia a dia do clube, que, em sua maioria, já estavam presentes antes mesmo da SAF.
