A chegada de Álvaro Montoro ao Botafogo em 2025, vindo do Vélez Sarsfield, gerou grande expectativa, e o meia argentino tem correspondido com boas atuações, especialmente no aspecto técnico. Em entrevista ao canal “Footure”, o ex-head scout Raphael Rezende revelou que o clube já monitorava o jogador e enfatizou que o processo de adaptação não é instantâneo, citando a importância de um olhar cuidadoso para o extracampo do atleta.
Rezende não poupou elogios ao talento de Montoro, afirmando: “Tecnicamente, cara, para mim é indiscutível, assim. Jogadoraço desde sempre”. Ele ressaltou que o scout Cristian Costa já acompanhava o jogador na Argentina há muito tempo. O ponto de atenção, segundo Rezende, reside no biotipo do atleta e, principalmente, no fato de o Botafogo ser o primeiro clube de Montoro fora de sua “casa”, o Vélez. “Esse primeiro movimento, ele geralmente é mais traumático. Se o jogador não é bem estruturado, se ele vai se mudar sozinho pra outro país, outra cultura, por mais que seja Brasil e América do Sul uma construção parecida, você está falando de diferenças culturais que ele não encontraria dentro da própria Argentina, por exemplo”, ponderou o ex-head scout, explicando como o ambiente fora de campo impacta diretamente na performance.
O especialista destacou a complexidade de gerenciar essa transição, enfatizando a necessidade de paciência e de um suporte que vá além dos 90 minutos em campo. “O caminho é muito mais amplo e complexo do que olhar simplesmente para o cara está desempenhando ou não dentro dos 90 minutos”, afirmou. Ele citou exemplos como Matías Segovia e Diego Hernández, que também enfrentaram desafios de adaptação ao chegarem de outros países, e ressaltou que, apesar das oscilações, o talento de Montoro garante seu potencial de crescimento e afirmação no futebol profissional.
Raphael Rezende ainda comparou a situação de Montoro com a de outros jogadores que já haviam passado por uma “primeira transferência grande” antes de chegar ao Botafogo, como Thiago Almada, Luiz Henrique e Igor Jesus. Para ele, atletas que já tiveram essa experiência de adaptação em outro país tendem a ter uma transição mais natural. “Quando você pensa em resultado esportivo imediato, essa equação também acaba fechando melhor mais vezes do que simplesmente trazer o atleta jovem já da base em que ele se destacou. Enfim, você precisa ter muito mais paciência, acreditar muito mais nesse processo para que o jogador dê retorno”, concluiu, reforçando a importância de um acompanhamento estruturado para jovens talentos em novas culturas.




